Brasil Reafirma Liderança Global no Turismo LGBTQIA+ Durante 10ª Conferência Internacional da Diversidade

 


Evento histórico em São Paulo consolida a estratégia nacional de acolhimento e revela dados inéditos sobre o poder econômico da comunidade viajante
O turismo brasileiro vive um momento de redefinição estratégica ao colocar a diversidade no centro de sua política de promoção internacional. A participação da Embratur na 10ª Conferência Internacional da Diversidade, realizada em São Paulo entre os dias 22 e 26 de setembro de 2026, marca não apenas uma presença institucional, mas a materialização de uma agenda que entende a inclusão como vetor de desenvolvimento econômico e social. O evento, considerado um dos mais importantes do setor para a pauta LGBTQIA+, reuniu representantes do poder público, empresas privadas, entidades de classe e influenciadores internacionais para debater negócios inclusivos, cultura, esporte e hospitalidade.
A escolha de São Paulo como palco desta edição histórica reforça a posição da capital paulista como hub global de diversidade e negócios. Durante cinco dias, a cidade recebeu delegações de países como Portugal, França, Estados Unidos e Espanha, que participaram de press trips organizadas em parceria com a Secretaria Municipal de Turismo. Essa movimentação internacional sinaliza que o Brasil não busca apenas visitantes, mas parceiros comerciais e formadores de opinião capazes de amplificar a mensagem de que o país é um destino seguro, acolhedor e preparado para receber turistas de todas as orientações sexuais e identidades de gênero.

A Estratégia "Brasil Destinos de Orgulho"

No coração das ações da Embratur durante a conferência esteve a apresentação oficial do projeto "Brasil Destinos de Orgulho". Coordenada por Tânia Neres, responsável pela pasta de Afroturismo, Diversidade e Povos Indígenas na agência federal, a iniciativa visa mapear, certificar e promover destinos brasileiros que já possuem infraestrutura e cultura de atendimento adequadas à comunidade LGBTQIA+. Diferente de abordagens anteriores focadas apenas em eventos específicos como paradas ou festivais, o novo programa trabalha a transversalidade da diversidade em toda a cadeia produtiva do turismo.
O conceito de "Destinos de Orgulho" vai além da tolerância passiva. Ele exige proatividade dos gestores públicos e privados na criação de experiências autênticas e respeitosas. Isso inclui desde a capacitação de recepcionistas de hotéis e garçons de restaurantes até a adaptação de políticas internas de recursos humanos nas empresas do setor. A Embratur tem atuado como indutora desse processo, conectando destinos certificados a operadores turísticos internacionais especializados em nichos de mercado, garantindo que a oferta brasileira chegue ao consumidor final com a qualidade e a segurança necessárias.
Essa estratégia está alinhada ao Plano Brasis, o atual plano de marketing turístico internacional do Brasil, e ao programa Feel Brasil, que buscam posicionar o país como uma experiência emocional e transformadora. Ao integrar a diversidade a esses guarda-chuvas estratégicos, a agência federal deixa claro que o turismo LGBTQIA+ não é um segmento isolado, mas parte fundamental da identidade turística nacional. A homofobia, conforme enfatizado por autoridades do setor, não tem lugar no modelo de civilização e prosperidade que o Brasil deseja projetar ao mundo.

Dados Inéditos Revelam Potencial Econômico Gigantesco

Um dos momentos mais aguardados da 10ª Conferência foi o lançamento da "Pesquisa do Perfil e Comportamento de Consumo da População e do Turista LGBTQIA+ do Brasil". Produzida pela Câmara de Comércio e Turismo LGBT em parceria com o IEMI (Inteligência de Mercado) e com apoio direto da Embratur, o estudo representa um marco na inteligência de mercado do setor. Até então, o Brasil carecia de dados consolidados e recentes que permitissem aos empresários dimensionar com precisão o tamanho e as características dessa demanda.
Os números apresentados confirmam o que especialistas já apontavam: o turista LGBTQIA+ possui alto poder aquisitivo e propensão a gastos superiores à média. Globalmente, o turismo voltado para essa comunidade deve movimentar cerca de US$ 385 bilhões em 2026, equivalente a R$ 2,6 trilhões. No contexto doméstico, o potencial de compras da população LGBT+ é estimado em R$ 419 bilhões, representando aproximadamente 10% do PIB nacional. Mais do que volume financeiro, pesquisas indicam que viajantes LGBTQIA+ tendem a gastar quatro vezes mais que turistas convencionais e valorizam destinos que demonstram compromisso genuíno com a inclusão.
Esses dados têm implicações diretas para a competitividade do Brasil. Com o turismo internacional arrecadando mais de US$ 10,4 bilhões em 2025 e registrando alta de 12% no primeiro semestre de 2026, atingindo US$ 5,6 bilhões, o segmento diverso surge como alavanca essencial para manter essa trajetória de crescimento. Cada dólar gasto por um turista internacional em território brasileiro se traduz em geração de emprego, renda e dinamismo para economias locais, especialmente em regiões que dependem fortemente da atividade turística.

Parcerias Estratégicas e Cooperação Técnica

O sucesso da atuação da Embratur na conferência também reflete a solidez de suas parcerias institucionais. Pelo quinto ano consecutivo, a agência atua como Apoiadora Master do evento, demonstrando consistência e compromisso de longo prazo com a causa. Essa continuidade é vital para construir confiança junto à comunidade e ao mercado. Ricardo Gomes, presidente da Câmara de Comércio e Turismo LGBT do Brasil, destacou que a parceria permite somar esforços na promoção internacional e na comercialização de destinos estratégicos.
O Acordo de Cooperação Técnica (ACT) firmado entre a Embratur e a Câmara LGBT serve como arcabouço legal e operacional para essas ações conjuntas. Por meio desse instrumento, são desenvolvidas iniciativas como as press trips internacionais, que trouxeram jornalistas e influenciadores para vivenciar a realidade turística de São Paulo entre os dias 17 e 22 de setembro. Esses profissionais, ao retornarem aos seus países de origem, tornam-se multiplicadores da imagem positiva do Brasil, criando conteúdo autêntico que alcança públicos segmentados difíceis de acessar através da publicidade tradicional.
Além da Câmara LGBT, a Embratur conta com o engajamento do Sebrae e de secretarias estaduais e municipais de turismo para capilarizar as ações de capacitação e fomento. A integração entre diferentes níveis de governo e o setor privado é fundamental para garantir que as diretrizes nacionais sejam implementadas efetivamente no chão dos destinos. Cidades como Florianópolis, Rio de Janeiro e São Paulo, já certificadas como gay-friendly, servem como modelos e laboratórios de boas práticas que podem ser replicadas em outras regiões do país.

Cultura, Esporte e Economia Criativa como Vetores de Inclusão

A programação da 10ª Conferência Internacional da Diversidade dedicou espaços específicos para discutir a interseção entre turismo, cultura e esporte. No dia 25 de setembro, debates e apresentações destacaram como a economia criativa pode gerar emprego e renda para a comunidade LGBTQIA+. Artistas, produtores culturais e atletas foram convidados a compartilhar suas experiências e a demonstrar como a visibilidade positiva contribui para desconstruir estereótipos e atrair novos públicos.
Nesse contexto, o audiovisual tem se mostrado uma ferramenta poderosa de promoção turística. O curta-metragem "Entre Sinais e Marés", exibido em edições anteriores do evento e selecionado pelo edital "Brasil com S" da Embratur, exemplifica essa abordagem. A produção, que narra uma história de romance protagonizada por uma pessoa surda na Ilha do Mel (Paraná), combina a promoção de um destino paradisíaco com a representação de pautas de acessibilidade e diversidade afetiva. Esse tipo de conteúdo humaniza o destino e conecta emocionalmente o espectador à experiência de viagem, indo muito além da simples exibição de paisagens.
O esporte também emerge como linguagem universal de inclusão. Eventos esportivos LGBTQIA+, maratonas, torneios de vôlei de praia e competições de surf inclusivo atraem milhares de participantes e espectadores, gerando fluxo turístico concentrado e de alta ocupação hoteleira. Ao apoiar e promover essas iniciativas, o Brasil posiciona-se não apenas como um local de lazer passivo, mas como um palco ativo de celebração da vida e do corpo em toda sua pluralidade.

Desafios e Perspectivas para o Futuro

Apesar dos avanços significativos, desafios permanecem. A capacitação contínua de profissionais, o combate à discriminação velada e a garantia de segurança física e psicológica para turistas e residentes LGBTQIA+ exigem vigilância constante. A "lição de casa" mencionada por Ricardo Gomes refere-se exatamente a essa necessidade de aprimoramento permanente dos serviços e das estruturas de acolhimento. Não basta ter destinos bonitos; é preciso ter destinos preparados.
A pesquisa lançada durante a conferência será um instrumento crucial para monitorar esses desafios. Ao fornecer dados desagregados sobre perfil, comportamento de consumo, satisfação e percepção de segurança, ela permitirá que gestores públicos e privados tomem decisões baseadas em evidências. A inteligência de mercado deixa de ser um luxo e passa a ser condição básica para a competitividade em um segmento tão dinâmico e exigente.
Olhando para frente, a tendência é de maior profissionalização e segmentação dentro do próprio turismo LGBTQIA+. Subnichos como turismo trans, turismo sênior LGBTQIA+, ecoturismo queer e turismo de negócios inclusivo ganham força e demandam ofertas específicas. O Brasil, com sua imensa diversidade natural e cultural, tem potencial único para liderar essas novas fronteiras. A chave estará em manter a coerência entre o discurso de acolhimento e a prática cotidiana nos destinos.
A 10ª Conferência Internacional da Diversidade encerra-se com um baile de gala inédito, celebrando conquistas e renovando compromissos. Mas a verdadeira celebração acontece diariamente nos aeroportos, hotéis, praias e ruas onde turistas LGBTQIA+ escolhem o Brasil para viver suas férias, suas luas de mel e seus momentos de liberdade. Cada visita bem-sucedida é um voto de confiança na capacidade do país de ser, verdadeiramente, um destino de orgulho para todos.
A união entre Embratur, setor privado, academia e sociedade civil demonstra que o caminho da inclusão é também o caminho da prosperidade. Em um mundo cada vez mais consciente e conectado, a diversidade deixou de ser diferencial para se tornar requisito básico de sobrevivência e excelência no turismo. O Brasil, ao abraçar essa realidade com coragem e estratégia, não apenas honra sua própria história de mistura e acolhimento, mas constrói um futuro turístico mais rico, justo e sustentável para todas e todos.

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