Representatividade Histórica: 32 Pessoas LGBTQIA+ Conquistam Mandatos Eletivos no Brasil em 2026

 


As eleições de 2026 marcaram um momento sem precedentes na história política brasileira. Pela primeira vez, o país elegeu 32 pessoas LGBTQIA+ para cargos legislativos em diferentes esferas de governo, consolidando uma presença que reflete anos de luta por visibilidade e direitos civis. O número representa quase o dobro dos 18 eleitos em 2022, demonstrando uma evolução significativa na participação política dessa parcela da população.
Os dados foram compilados pela organização Diadorim, em parceria com o VoteLGBT, e atualizados até a manhã desta segunda-feira, dia 5 de outubro de 2026. Entre os eleitos estão oito deputados federais, nove deputados estaduais e uma deputada distrital do Distrito Federal, além de outros parlamentares que aguardam confirmação final pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Um Panorama Nacional da Representatividade

A distribuição geográfica dos eleitos revela uma concentração maior nos estados mais populosos, mas também mostra avanços em regiões onde a representatividade LGBTQIA+ era historicamente menor. São Paulo lidera com sete representantes eleitas para a Assembleia Legislativa, incluindo nomes como Sofia Favero, que obteve impressionantes 407.773 votos, Paula da Bancada Feminista com 326.190 votos, Ediane Maria com 170.844 votos, Monica das Pretas com 159.100 votos, Duda Hidalgo com 154.953 votos, Keit Lima com 58.984 votos e Thainara Faria com 81.485 votos.
No Rio de Janeiro, três candidaturas foram confirmadas: Anielle Franco para a Câmara dos Deputados com 149.726 votos, Dani Balbi para a Assembleia Legislativa com 169.474 votos e Dani Monteiro também para o Legislativo estadual com 55.227 votos. Rick Azevedo completou a representação fluminense na Câmara Federal com 191.371 votos, enquanto Verônica Lima conquistou uma vaga na Assembleia com 85.421 votos.
Minas Gerais também se destaca com quatro eleitos. Dandara e Bella Gonçalves foram eleitas deputadas federais pelo PT, obtendo respectivamente 108.193 e 98.750 votos. Duda Salabert, agora filiada ao PSOL, foi a mais votada do estado com 229.535 votos para a Câmara Federal. Iza Lourença completa a lista mineira como deputada estadual pelo PSOL com 104.524 votos.

Nomes que Marcaram a História

Entre as figuras mais emblemáticas está Erika Hilton, reeleita deputada federal por São Paulo com a expressiva marca de 1.596.472 votos, tornando-se uma das parlamentares mais votadas do país. Sua trajetória desde a eleição anterior demonstra a consolidação de uma base eleitoral sólida e comprometida com pautas progressistas.
Guilherme Cortez, também de São Paulo, foi eleito deputado federal pelo PSOL com 275.450 votos, reforçando a bancada progressista na Câmara. Daiana Santos, do PCdoB do Rio Grande do Sul, foi confirmada com 114.315 votos, assim como Giovana Mondardo de Santa Catarina, eleita pelo mesmo partido com 114.792 votos.
Fábio Felix representa o Distrito Federal na Câmara dos Deputados com 224.224 votos pelo PSOL, enquanto Keka Bagno foi eleita deputada distrital com 40.569 votos, garantindo voz à comunidade LGBTQIA+ no legislativo local.
No Nordeste, Rosa Amorim foi eleita deputada federal por Pernambuco pelo PT com 144.101 votos, e Maria Marighella conquistou uma cadeira na Câmara pela Bahia com 108.870 votos. Vilma Reis completa a representação baiana como deputada estadual com 83.222 votos. Flávio Brasileiro foi eleito deputado estadual pela Paraíba com 23.756 votos, e Fabricio Rosa conquistou uma vaga na Assembleia de Goiás com 81.540 votos.

Casos de Superação e Reconhecimento

Um dos casos mais emocionantes foi o de Thabatta Pimenta, eleita deputada federal pelo PV do Rio Grande do Norte com 92.743 votos. Em 2022, ela havia sido a candidata mais votada do PSB no estado, alcançando cerca de 40.5 mil votos, mas ficou sem mandato devido ao coeficiente eleitoral insuficiente do partido. Quatro anos depois, sua persistência foi recompensada com uma vitória clara e expressiva.
No Rio Grande do Sul, Natasha foi eleita deputada estadual pelo PT com 54.027 votos, enquanto Jean Volpato conquistou uma vaga na Assembleia de Santa Catarina pelo mesmo partido com 48.204 votos. Tiago Botelho foi eleito deputado estadual por Mato Grosso do Sul com 39.387 votos, e Açucena garantiu uma cadeira na Assembleia do Espírito Santo com 35.988 votos.

Comparação com Eleições Anteriores

O cenário de 2026 contrasta significativamente com o de 2022, quando apenas 18 pessoas LGBTQIA+ foram eleitas no país. Naquela ocasião, foram quatro deputadas federais, 13 representantes nos Legislativos estaduais e distrital, além da governadora Fátima Bezerra, reeleita no Rio Grande do Norte. As quatro deputadas federais eleitas em 2022 foram Dandara (PT-MG), Daiana Santos (PCdoB-RS), Duda Salabert (então no PDT-MG) e Erika Hilton (PSOL-SP).
O crescimento de 78% no número de eleitos demonstra não apenas uma maior aceitação social, mas também uma estratégia política mais eficiente das candidaturas LGBTQIA+, que conseguiram articular melhor suas campanhas e construir alianças mais sólidas.

Metodologia e Fontes dos Dados

O levantamento realizado pela Diadorim considera as candidaturas LGBTQIA+ mapeadas pelo VoteLGBT, organização que realiza a identificação a partir da autodeclaração das próprias candidatas e candidatos. Essa metodologia respeita a autonomia identitária de cada pessoa e evita classificações externas que possam não corresponder à realidade vivenciada por cada indivíduo.
Os dados foram cruzados com os resultados oficiais divulgados pela Justiça Eleitoral, garantindo precisão e confiabilidade nas informações apresentadas. A classificação "eleito(a)" só é exibida quando há indicação oficial da Justiça Eleitoral, enquanto as candidaturas na faixa da eleição são apresentadas separadamente e aguardam confirmação definitiva do TSE.

Impacto Político e Social

A presença ampliada de pessoas LGBTQIA+ nos espaços de poder legislativo tende a influenciar diretamente a agenda política nacional. Temas como combate à LGBTfobia, garantia de direitos civis, políticas públicas de saúde específicas e proteção contra violências tendem a receber maior atenção e prioridade.
Além disso, a diversidade de partidos políticos representados mostra que a questão LGBTQIA+ transcende divisões ideológicas tradicionais. Embora haja predominância de partidos de esquerda como PT e PSOL, a presença de representantes do PV, PCdoB e outras siglas indica uma disseminação mais ampla dessas pautas no espectro político brasileiro.

Desafios e Perspectivas Futuras

Apesar dos avanços quantitativos, especialistas apontam que ainda há muito caminho a percorrer. A representatividade numérica precisa ser acompanhada por efetividade legislativa, com a aprovação de leis concretas que protejam e promovam os direitos da comunidade LGBTQIA+.
Outro desafio importante é garantir que essa representatividade não fique restrita aos grandes centros urbanos. Estados menores e regiões mais conservadoras ainda apresentam barreiras significativas para a eleição de candidaturas LGBTQIA+, exigindo estratégias específicas de apoio e fortalecimento.
A eleição de 2026 estabelece um novo patamar de expectativa para as próximas disputas eleitorais. A sociedade brasileira demonstra, através do voto, uma crescente maturidade para lidar com a diversidade e reconhecer o valor da representatividade plural nos espaços de decisão política.
Os 32 eleitos assumirão seus mandatos em 2027 com a responsabilidade histórica de consolidar conquistas anteriores e abrir caminhos para futuras gerações de lideranças LGBTQIA+. Seu desempenho será acompanhado de perto por organizações da sociedade civil, movimentos sociais e pela própria comunidade, que deposita nessas representações esperanças de transformação social mais profunda e duradoura.

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